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Revelações públicas e revelações privadas: buscando um caminho de reflexão

Escrito por Academia Marial

26 MAR 2022 - 08H00

Thiago Leon

Em tempos hodiernos são muitas as notícias que nos chegam, de pessoas que receberam algum tipo de revelação de Deus por meio de sinais, palavras, acontecimentos e outras situações. Muitas vezes o modo como acolhemos tais notícias nos espantam e até mesmo nos fazem viver presos a coisas que não são essenciais a nossa fé. A Igreja diante desta situação foi sempre muito prudente, e por isso como mãe e mestra sempre nos ensinou a contemplar os sinais dos tempos, à luz do Espírito Santo, não nos anestesiando diante de tais fatos, mas nos fazendo olhar o futuro, mesmo diante das situações difíceis, com esperança.

As Sagradas Escrituras nas suas entrelinhas nos testemunham a história da revelação de Deus a toda humanidade. Através de uma linguagem muito própria nelas encontramos o registro da epifania de Deus a toda a sua criação. Claro que todas estas manifestações devem ser vistas com os óculos da fé. Dessa maneira, os nossos olhos devem ir além do que está escrito, contemplando a intenção que fez o texto vir à luz.

A Palavra de Deus por meio de sinais, gestos, acontecimentos e pessoas vai nos mostrando a relação de um Pai, que por amor a sua criação, em todos os tempos continua a se manifestar aos seus filhos e filhas como amor infinito, graça que santifica, Espírito que tudo renova. Por isso, uma saudável interpretação das páginas sagradas, nos ajuda a professar uma fé ativa, consciente, madura e capaz de gerar novos tempos. Neste ponto estamos diante das revelações públicas que a Igreja procura ensinar por intermédio dos dogmas, que não são invenções humanas, mas que nascem de uma profunda reflexão, que muitas vezes levam longos anos para serem estabelecidos. O dogma não é algo que nos engessa, mas é um caminho proposto pela Igreja, a fim de que abracemos o essencial da fé, que é Jesus Cristo.

Um outro dado importante sobre o qual devemos voltar as nossas atenções é para a questão das revelações privadas. Tais revelações tem sempre ao seu lado homens, mulheres, fatos, sinais que apontam para algum tipo de manifestação da Trindade ou de Nossa Senhora. Diante destas situações a Igreja procura agir sempre com muita diligência e prudência. Estabelece grupos, com pessoas das mais diversas áreas do conhecimento humano para estudar os casos e à luz da fé dar um sano parecer. Com esta atitude podemos observar que a Igreja, contrariando o que muitos afirmam, deseja conduzir os seus fiéis a uma vivência salutar da fé.

Em muitas narrativas, sobre revelações privadas encontramos testemunhos que mais procuram dividir a Igreja, do que apresentarem caminhos para a concretização de uma comunidade eclesial cada vez mais discípula e missionária. A Igreja não condena as revelações privadas, mas com discernimento e sabedoria ela procura separar o joio do trigo, isto é, as estudo antes de apresenta-las a toda comunidade eclesial presente nos quatro cantos do mundo.

Diante das revelações públicas e revelações privadas o que devemos sempre fazer aparecer é o desejo de um Deus, que na sua infinita misericórdia, por meio do seu Filho nos faz seus filhos também e no seu Espírito, nos anima na construção do seu Reino. Uma revelação se é verdadeiramente de Deus, não pode nos deixar anestesiado e nem muito menos produzir a divisão, mas deve nos ensinar que o Espírito de Deus sopra e age onde deseja, em favor da fraternidade universal.

Pe. Rodrigo José Arnoso Santos, CSSR
Docente de Liturgia e Teologia Sacramentaria no Instituto São Paulo de Estudos Superiores e no Centro Universitário Salesiano de São Paulo

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