Palavra do Associado

Nossa Senhora do Carmo – Mãe dos Pobres e Sofredores

Escrito por Academia Marial

30 ABR 2021 - 16H26 (Atualizada em 30 ABR 2021 - 17H02)


Leo Caetano
Leo Caetano


Título: Nossa Senhora do Carmo

Padroeira: Pernambuco

Festa: 16 de julho

A história do Brasil parece um imenso andor de Nossa Senhora, carregado pelo povo humilde, através dos tempos. O povo não aparece, nem carrega placa de nome no peito. Faz questão é de ficar escondido, atrás do nome de Maria e atrás dos enfeites e das flores, que caem pelo lado do andor até o chão. O que aparece e deve aparecer é o nome e a imagem de Nossa Senhora, aclamada e invocada por milhares de vozes que, lá de baixo, choram e gritam, sem parar, Ave Maria! (MESTERS, C., Maria, a Mãe de Jesus. Petrópolis: Vozes, 1977, p.14).

O Estado do Pernambuco foi uma das primeiras áreas do Brasil a serem ocupadas pelos Portugueses. Foi em 1535, que ao tornar-se Donatário da Capitania, Duarte Coelho, vai fundar a Vila de Olinda e espalhar os primeiros engenhos pela região. Durante o período colonial, Pernambuco vai se tornar o maior produtor de açúcar e responsável por boa parte da exportação brasileira do produto. Colonos europeus são atraídos por esta riqueza e constroem ali um dos mais ricos patrimônios arquitetônicos da América Colonial. É em 1580 que chega ao Brasil os primeiros frades Carmelitas. A história da futura Basílica e Convento de Nossa Senhora do Carmo na Capital Pernambucana teve início em meados 1665.

Em 1584, houve a criação do primeiro convento dos carmelitas das Américas, o Convento de Santo Antônio do Carmo, assim tornando Olinda o berço do Carmelo brasileiro, possibilitando a dinamização dos frades missionários ao interior do Nordeste, como também anos depois ao Norte, e por conseguinte a todo o litoral brasileiro. Em 1685, os frades carmelitas já estavam construindo um convento no Recife, entretanto em 1690 aderiram a Reforma Turonense, que influenciou diretamente na sua estrutura arquitetônica. Outros acontecimentos históricos marcaram mudanças significativas no convento. A estrutura externa e interna da basílica, como também cada capela-mor: a de Nossa Senhora do Carmo, Capela do Santíssimo Sacramento e Capela de São José, arremetem a características artísticas do Barroco Rococó.¹

O Palácio da Boa Vista construído pelo Holandês Mauricio de Nassau, ex-governador da cidade, foi incorporado ao complexo logo após ser doado para a Ordem em 1687. No ano de 1920, o Vaticano concedeu ao templo o título de Basílica Menor e em 1938 o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) tombou o conjunto arquitetônico.

Um fato curioso é que as ordens terceiras do Carmo no Brasil seguiam a “veneração” do Escapulário da Virgem do Carmo, dos Passos da Paixão de Cristo, com exaltação a Nosso Senhor dos Passos; e simpatizavam com a temática da reforma descalça teresiana, com a Devoção à Santa Teresa D’Ávila. No Brasil, todas as ordens terceiras do Carmo tomaram como devoção principal Nossa Senhora do Carmo. A devoção mariana também seguiu as leis tridentinas, em que, hierarquicamente, as igrejas deveriam colocar em primeiro lugar Jesus Cristo e, posteriormente, Nossa Senhora. Todavia, atribuíram a Santa Teresa D’Ávila um papel secundário e de destaque dentro do templo. Na maioria das igrejas, a imagem da Santa pode ser contemplada em pontos estratégicos da nave. ²

Não cabe dúvida alguma, que a festa de Nossa Senhora do Carmo é uma das festas mais populares de todo o mundo e, em especial, aqui na América Latina, onde é a devoção mariana com mais templos e altares dedicados a ela, o que mostra que não só é padroeira da Ordem Carmelita, mais também do todo o povo de Deus, que peregrina neste belo continente. Na Argentina, por exemplo, é padroeira do exército e do serviço penitenciário federal argentino; na Bolívia, é padroeira das Forças Armadas da nação; no Chile, é patrona do país e General de armas; na Costa Rica, é patrona do mar; na Colômbia, é padroeira e rainha dos transportistas, das Forças Armadas, da Polícia Nacional, do Corpo de Fuzileiros Navais, da Força Aérea e também é patrona do Corpo de Bombeiros; no México, é padroeira dos marinheiros e pescadores; na Nicarágua, ela é proclamada como Rainha do Mar e dos rios e também protetora dos pescadores. No Panamá, é padroeira dos pescadores; no Peru, junto com o Senhor dos Milagres está como patrona de Lima e é a devoção mariana que tem mais títulos e condecorações do governo; na Venezuela, é patrona dos marinheiros, pescadores, transportistas e da polícia nacional. No Uruguai, também é padroeira dos pescadores, e assim como outras muitas cidades no mundo inteiro que a tem como padroeira e protetora. ³

No dia 25 de novembro de 1908, o papa Pio X proclamou, a pedido do povo, a Nossa Senhora do Carmo como Padroeira do Recife. Já em 1918, o papa Bento XV concedeu a coroação canônica de Nossa Senhora do Carmo, evento que ocorreu no dia 21 de setembro de 1919. O papa Bento XV também elevou a Igreja do Carmo a categoria de Basílica Menor, no dia 16 de julho de 1922. A Basílica do Carmo do Recife é um marco artístico, cultural e religioso, com um contexto histórico de grande importância tanto para o Recife, como também para Pernambuco. 4

Vinícius Aparecido de Lima Oliveira
Associado da Academia Marial de Aparecida

Bibliografia:

1. CONTEÚDO aberto. In: Basílica do Carmo, Recife – A Basílica de Nossa Senhora do Carmo no Recife. Disponível em:
. Acesso em: 8 abr 2021.
2. GONZALEZ, Alessandra. Nossa Senhora do Brasil: as principais igrejas e representações de Maria. São Paulo: Pólen, 2017.
3. CONTEÚDO aberto. In: Provincia Carmelitana de Santo Elias – Senhora do Carmo, Mãe dos Pobres e Sofredores. Disponível em: . Acesso em: 8 abr 2021.
4. CONTEÚDO aberto. In: Basílica do Carmo, Recife – A Basílica de Nossa Senhora do Carmo no Recife. Disponível em: . Acesso em: 8 abr 2021.

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