Primeiro achei engraçado. Mas depois fiquei pensando e achei essa pergunta bem provocativa. Vejamos: na sua base original, o termo “paixão” significa estar tomado por um sentimento profundo; e isso abre possibilidade para muitos tipos de paixão. A atração afetiva seria o mais comum. Mas há também paixão por um time, por certas atividades, ou até um tipo de alimento etc. Quem se apaixona se empolga e ganha energia de vida, mas também sofre com as perdas, distâncias, decepções. Portanto, atração e sofrimento fazem parte da paixão. No sentido cristão, acostumamos a centrar a paixão de Jesus no sofrimento terrível que O fez suar sangue, ao prever sua condenação e morte na cruz. E de fato ficamos chocados só de imaginar como foi cruel tudo o que Ele sofreu.
Mas será que a paixão de Jesus se reduz a esse lado físico e mental, ou tem também um lado amoroso que a adolescente perguntava? Isso me fez pensar mais ainda. Primeiro descobri que essa redução da paixão ao sofrimento leva nossa espiritualidade a ser pensada como sacrifício, mais dor do que amor. Então a gente acerta ao dizer que Jesus sofreu a cruz por amor de nós, mas se confunde ao pensar que só amamos a Deus através de penitências e sacrifícios. Pois o centro do amor é a felicidade, o bem-estar de quem se ama, e para Jesus a misericórdia é muito mais que o sacrifício (Lc 12,7). A paixão possessiva se disfarça de egoísmo e faz sofrer por não se ter o que se quer. A paixão amorosa faz sofrer quando precisa de sacrifícios pessoais para realizar vida feliz a quem se ama. Ou seja, é a força amorosa da paixão que leva a assumir atitudes e gestos difíceis. Jesus mesmo se perguntava no Horto das Oliveiras se não haveria outro jeito de salvar a Humanidade. Não viu outro, e se dispôs ao que fosse preciso para convencer o mundo sobre o Amor. Santo Afonso de Ligório chamava Jesus de “louco de Amor”. A sua paixão revela o Amor apaixonado de Deus pela Humanidade. De qualquer modo, para nós, viver paixões é indispensável; quem não se apaixona tem vida pífia. A paixão de Cristo ensina a nos apaixonar como Ele se apaixonou, sem egoísmos traiçoeiros, fazendo o máximo pelo bem das pessoas e da humanidade. Faz muita falta esse tipo de paixão no mundo e até em nós.
Bem, mas ao final como fica a Madalena nisso? Ah! Ela conta o desfecho da paixão de Jesus. Um dia precisamos escutar melhor o que ela diz.
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