Brasil

A extinção das abelhas e o papel do cristão na preservação

A Igreja segue atenta as questões ambientais em meio a Campanha da Fraternidade. Uma das questões que pedem atenção são as abelhas, e, consequentemente, o mel.

Escrito por Fabiana Cugolo

01 ABR 2025 - 07H00 (Atualizada em 01 ABR 2025 - 08H18)

Em consonância com a série “Desafios da Igreja”, produzida pela TV Aparecida, que na última semana, exibiu o tema “Ecologia Integral”, o Portal A12 traz um conteúdo especial sobre a causa ambiental. O tema da reportagem seguiu em sintonia com a Campanha da Fraternidade 2025.

Na produção para a TV, a jornalista Camila Morais e a equipe de reportagem abordaram os impactos ambientais em três biomas brasileiros: Mata Atlântica, Pantanal e Amazônia. As queimadas, por exemplo, nestas regiões do país, causam um desequilíbrio ambiental, principalmente no Pantanal. As consequências são desde a perda de habitats, espécies até a poluição do ar e a alteração do clima, situações que já sentimos na ‘pele’ atualmente.

Além destes impactos, estes problemas geram danos à saúde, perda de biodiversidade e impactos econômicos. Dentre essas situações e os danos causados ao meio ambiente, destacamos como o desequilíbrio afeta as abelhas e a produção de mel.

A vivência de perto

Em conversa com o A12, Camila destacou a experiência de ter visto de perto os efeitos dos desastres ambientais. No Pantanal, a gente viu as consequências dos incêndios sobre tudo no que diz respeito ao aparecimento de pragas nas lavouras e a morte de inúmeras abelhas. As abelhas são essenciais para polinização e garantem a vegetação em pé. Então, quando tem muitas queimadas, os insetos são muito mais vulneráveis e sensíveis e eles morrem e desaparecem”, destacou frisando que, como consequência, a vegetação diminui.

Camila ainda contou que conversou com pessoas que não foram atingidas diretamente pelos incêndios, mas que as consequências afetaram sua produção e sustento diário: 

Nós conversamos com um apicultor que perdeu parte do enxame porque as abelhas sumiram. E isso é uma consequência ambiental, mas também social. Com a queda do número de abelhas, diminui a produção de mel, e consequentemente, diminui a geração de renda, e ele vive, basicamente, do que produz no quintal. É muito triste vermos uma realidade dessa, porque é um impacto social”.

Reprodução TV Aparecida
 Reprodução TV Aparecida


A preocupação e o alerta dos especialistas

As abelhas desempenham um papel vital na natureza e na segurança alimentar, sendo essenciais para a polinização de plantas, incluindo muitas culturas alimentares, e para a produção de mel, um alimento de grande valor.

O professor Carlos Amorim, graduado em Apicultura pela Universidade de Taubaté (Unitau), possui cerca de 30 colmeias, distribuídas por várias cidades da região do Vale do Paraíba, interior de São Paulo, como, Lagoinha, Canas e Guaratinguetá. Amorim tem contato com abelhas desde 1988 e atua como coordenador do grupo gestor da Cadeia Produtiva Local do Mel do Vale do Paraíba, do programa SPProduz, da Secretária de Desenvolvimento do Estado de São Paulo.

O professor destacou ao A12 que os ataques ao meio ambiente geram uma série de efeitos, e a mortandade das abelhas é apenas mais um deles. “Aqui, devemos citar que as abelhas polinizam as flores e isso nos dá cerca de 75% dos alimentos, ou seja, sem elas, teremos só um quarto dos alimentos que temos hoje. Portanto, não podemos dizer que, se perdermos as abelhas, ficaremos sem mel, mas é muito mais grave. A existência de uma humanidade sem colapso pela fome depende da existência das abelhas”, frisou.

A Igreja que nos leva a reflexão

Esse tema tem ganhado crescente atenção nos últimos anos. O problema não é somente ecológico e ambiental, mas também pode ser interpretado como um chamado à reflexão moral e espiritual dentro da perspectiva cristã. As abelhas, seres essenciais para a polinização de muitas plantas, simbolizam, na visão cristã católica, a harmonia com a criação divina e a interdependência entre todos os seres.

A perda dessas criaturas pode ser vista como um reflexo do desequilíbrio causado pela humanidade, em sua busca desenfreada por progresso, consumo e exploração sem consideração pelas consequências para a Terra.

Reprodução TV Aparecida
 Reprodução TV Aparecida


A morte das abelhas pode ser vista como um alerta, um convite à reflexão sobre o modo como a humanidade tem se afastado dos princípios cristãos de responsabilidade e cuidado com a criação de Deus. O chamado ao cristão é urgente e pede que reconheçamos a responsabilidade de preservar a criação, incluindo as abelhas, e a entender que o bem-estar das criaturas de Deus está diretamente ligado à saúde do planeta e à nossa própria sobrevivência. 

A crescente preocupação com o desaparecimento das abelhas tem levado à busca por soluções que envolvem a recuperação de seus habitats e a implementação de práticas de apicultura sustentável. Essas iniciativas não apenas visam reverter o impacto negativo das atividades humanas sobre os ecossistemas, mas também se alinham a um compromisso mais amplo com a preservação da criação de Deus, um princípio defendido fortemente pela Igreja, especialmente a partir da encíclica Laudato Si', do Papa Francisco.

“Há esperança. Todos podemos colaborar, cada um com a própria cultura e experiência, cada um com as próprias iniciativas e capacidades, para que a nossa mãe Terra retorne à sua beleza original e a criação volte a brilhar novamente segundo o plano de Deus.” (Papa Francisco)

O que pode e deve ser feito 

Uma das principais ações de recuperação de habitats para as abelhas é a restauração de áreas naturais, como florestas e prados, que são fontes essenciais de alimento e abrigo para esses insetos. A promoção da biodiversidade é fundamental, e isso pode ser alcançado com o plantio de flores nativas que atraem as abelhas e evitando o uso de pesticidas e fertilizantes químicos, que são prejudiciais tanto para elas quanto para o ecossistema como um todo.

A preservação de espécies essenciais é uma necessidade imediata e de fundamental importância para garantir a sustentabilidade das futuras gerações. O equilíbrio ecológico da Terra está sendo constantemente ameaçado por atividades humanas que, ao promoverem o desmatamento, a poluição e o uso indiscriminado de produtos químicos, colocam em risco a saúde dos ecossistemas e, consequentemente, a nossa sobrevivência.

Embora as discussões ambientais aconteçam em várias áreas, o cuidado com o meio ambiente deve ser encarado como uma responsabilidade ética e espiritual, pois a Terra, com todos os seus seres vivos, é um dom divino ao qual fomos chamados a proteger e preservar.

Este é um convite espiritual a reconhecer a criação como sagrada e a trabalhar para o bem de todos os seres vivos, hoje e para as futuras gerações. O cuidado da criação não é apenas uma responsabilidade técnica, é um chamado profundo à nossa vocação de cooperar com Deus na construção de um mundo mais justo e sustentável.

A Bíblia e o mel

A própria Bíblia faz referências ao mel, que nos ajudam na reflexão sobre o tema, já que o mel é enfatizado na Bíblia com símbolo da generosidade de Deus.

"Eu o alimentaria com o melhor do trigo, e com mel da rocha o saciaria.” (Salmo 81,16)

O mel é também associado à terra prometida, à doçura da vida espiritual e à abundância das bênçãos divinas. Em Provérbios 24, 13, é dito: “Come, meu filho, o mel, porque é bom, e o favo de mel é doce para a tua boca.” 

Em Êxodo, Javé disse a Moisés: “Desci para libertá-lo das mãos dos egípcios e levá-lo daquela terra para uma terra boa e espaçosa, terra onde corre leite e mel…” (Êxodo 3,8)

Assista aqui à reportagem da TV Aparecida:

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