Por Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R. Em História da Igreja Atualizada em 27 FEV 2020 - 15H42

As grandes epidemias da história

Fatores que ajudam na propagação de epidemias e sua ocorrência no mundo antigo

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O mundo assiste preocupado ao desenvolvimento de uma nova epidemia. Ela começou em Wuhan, na China, correndo o risco de alastrar-se por diversas regiões, pois vários países já registraram casos de pessoas infectadas pelo vírus causador da epidemia.

O coronavirus, nome cabuloso que entrou para o vocabulário de muita gente nesses últimos dias, coloca o mundo e o Brasil em estado de alerta. Este vírus se tornou conhecido em 1937, mas passou a ser olhado com mais atenção a partir dos anos de 1960. Ele faz parte de uma família de vírus, sendo o mais agressivo, por atacar o sistema respiratório das pessoas e assim ser mais facilmente transmitido.

O mais curioso é que no mundo contemporâneo ou pós-moderno vivemos uma situação, no mínimo, contraditória. A tecnologia e o conhecimento acumulados permitem o avanço científico e a cura de várias doenças, mas por outro lado vem causando também o surgimento de novas epidemias que, ao se alastrar, amedrontam países e diversas populações em várias partes do mundo.

Só para lembrar de uma delas, em 2009, tivemos a epidemia da Gripe A ou Gripe Suína como ficou conhecida e afetou muita gente, sem falar nos males que causa na economia global do planeta.

Em geral, a utilização de alimentos geneticamente modificados, o uso exagerado dos agrotóxicos e pesticidas, a degradação do meio ambiente e o crescimento descontrolado das cidades são alguns fatores fundamentais que explicam o surgimento das epidemias.

Ao lado disso, os meios de transporte de massa como a aviação, os grandes navios de cruzeiro, os metrôs e trens urbanos permitem a maior circulação de pessoas e de produtos. Isso pode contribuir para aumentar a rapidez com que se proliferam essas epidemias.

Leia MaisPapa Francisco lembra vítimas afetadas pelo coronavírusPor outro lado, é interessante a gente perceber que esses males não são novidade na história humana e não é de agora que as epidemias acontecem.

Primeiras epidemias – Tempo antigo e medieval

Há mais de 3 mil anos, os egípcios já sofriam com um terrível surto de varíola que atingiu boa parte desta antiga civilização. A mesma doença, séculos mais tarde, atormentou o Japão por volta do Século VIII a.C.

No século V a.C., o mundo grego estava vivenciando um intenso conflito interno por causa da oposição entre as Cidades-Estado que colocava atenienses e espartanos em lados opostos. Conhecido como a Guerra do Peloponeso, este conflito militar acabou assinalando a derrota dos atenienses. Segundo alguns relatos da época, como se já não bastasse a habilidade militar de seus inimigos, os atenienses foram acometidos por essa terrível e misteriosa doença que ficou conhecida como a “grande praga de Atenas”.

Ainda andando pelo mundo antigo, também destacamos a malária como uma doença já reconhecida pelos romanos. Na época, não sabendo a relação entre o mal e a picada do mosquito Anopheles, eles acreditavam que a malária fosse contraída em regiões impregnadas de “ar ruim”. Não por acaso, como medida preventiva, buscaram aterrar as regiões pantanosas que encontravam. Atualmente, cerca de 250 milhões de pessoas ainda sofrem com essa terrível anomalia todos os anos.

Na Idade Média, o movimento conhecido como Cruzadas, acontecido a partir do século XI, entre outras consequências desastrosas fez com que a população europeia fosse acometida pela lepra. Os soldados cristãos que eram atingidos pela doença, ao voltarem para o continente europeu, ao invés de serem isolados ou serem vistos com repulsa, tinham suas mãos beijadas em reconhecimento pelos seus feitos sagrados. Isso fazia com que a doença se propagasse mais e mais.

Três séculos mais tarde, por conta das péssimas condições de higiene das cidades, a Peste Negra proliferou e acabou matando cerca de 25 milhões de europeus em apenas três anos.

Escrito por:
Pe Jose Inacio de Medeiros
Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

Missionário redentorista que atua no Instituto Histórico Redentorista, em Roma. Graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma. Atuou na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da antiga Província Redentorista de São Paulo, tendo sido também diretor da Rádio Aparecida.

1 Comentário

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sebastião oliveira comentou:

achei interessante, esses acontecidos dentro de suas épocas, isso nos traz mais alerta em relação o que estamos vivenciando, para mim foi novidade, ainda não visto e nem ouvido falar sobre essas coisas, muito obrigado por esses esclarecimentos, que se a nossa igreja pudesse nos passar informações valiosas como essas..parabéns ao padre Inacio...

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