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A Guerra entre o México e os Estados Unidos

Pe Jose Inacio de Medeiros

Escrito por Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

02 ABR 2025 - 07H00

David Peinado Romero/Shutterstock

A eleição do novo presidente dos Estados Unidos trouxe de volta o sofrimento e apreensão para os milhões de imigrantes que estão no país, sobretudo, aqueles que estão em condição ilegal.

O mesmo presidente tem ameaçado anexar o Canadá, para fazer dele um estado associado, e também voltou com a pressão contra o seu vizinho ao sul, reforçando a polícia fronteiriça, retomando a construção de um grande muro na fronteira que divide os dois países e propondo, inclusive, a troca do nome do Golfo do México.

Precisamos, entretanto, recuperar a “memória histórica”, recordando que uma boa parte do território que hoje forma os Estados Unidos pertencia originalmente ao México, tendo sido conquistada após a guerra e usurpada pela potência do Norte. Há uma dívida histórica da potência do norte em relação aos vizinhos do sul.

Guerra prejudica a nação mexicana

Os Estados Unidos são um dos países do mundo que mais participou de conflitos e de guerras, a maioria fora de seu território. Desde sua independência em 1776, o país já participou de pelo menos 107 conflitos, saindo derrotado em alguns deles, como na Guerra do Vietnã. Seu território foi também palco de vários conflitos com diferentes objetivos, entre eles o conflito originado das tensões entre os Estados Unidos e México a partir de 1820, na segunda década do século XIX.

O México herdou diversos territórios da Espanha, a chamada Nova Espanha e o Vice-Reino que, com a independência, em agosto 1821, se uniram como uma única nação. Dentre esses territórios havia o Texas, que hoje é um dos estados da América do Norte. O conflito começou de forma mais intensa em 1821, quando colonos norte-americanos começaram a entrar em grande número nos territórios do México.

De início, os governantes mexicanos viram com bons olhos a ocupação de muitas áreas do território, chegando a assinar acordos com lideranças norte-americanas com o objetivo de permitir a ocupação do vasto território por estrangeiros, acreditando que o aumento populacional da região ajudaria a diminuir os ataques indígenas nas terras que correspondiam ao atual estado do Texas.

O problema, porém, era a grande diferença cultural entre os dois povos e a existência de certos costumes bem conflitantes. Os mexicanos, por exemplo, eram contrários ao uso de mão de obra escrava, mas os norte-americanos usavam intensamente esse método de trabalho. Os mexicanos em sua maioria eram católicos fervorosos, já os americanos eram praticantes do protestantismo.

A recusa da parte dos colonos americanos em pagar os tributos que foram determinados pelo México, aceitando obedecer somente às ordens oriundas das autoridades de seu país, fez com que o conflito começasse, num processo de desobediência civil que desencadearia na Revolução do Texas.

Em 1836, a revolução cresceu ainda mais, com os colonos defendendo a independência total da região, entrando em combate direto com tropas mexicanas, vencendo diversas batalhas que entraram para a história como as batalhas de Béxar, San Jacinto e, sobretudo, Forte Álamo, que virou tema de livros e de filmes. Com a vitória de seus colonos, o Texas se separou do México, declarou sua independência e formou a República do Texas.

Nos anos que se seguiram, novos conflitos aconteceram, mas o controle do Texas nunca mais pode ser retomado pelo México, causando o rompimento de relações com os Estados Unidos, que, como era de se esperar, ficou ao lado dos revoltosos.

Reprodução/Wikipedia
Reprodução/Wikipedia
Cerca fronteiriça, perto de El Paso, Texas.


Em 1845, ocorreu um passo ainda mais ousado. O presidente americano James K. Polk (1845-1849), querendo expandir os domínios norte-americanos, tentou anexar o Texas e também ofereceu 25 milhões de dólares pelos estados da Califórnia e Novo México, causando um duplo problema: o governo mexicano se ofendeu com a proposta de compra de parte de seu território e ainda foi desrespeitado pela tentativa de anexação de um território que era seu por direito.

Em abril de 1846, o presidente mexicano declarou estar numa guerra defensiva contra os Estados Unidos, dando origem, de fato, a um conflito entre às duas nações, mas como o exército dos Estados Unidos era melhor equipado, com mais financiamento, dispondo de mais recursos humanos e materiais, o México saiu derrotado em quase todas as batalhas que se seguiram entre 1846 a 1848. As tropas norte-americanas chegaram a conquistar a Cidade do México, capital do país, em setembro de 1847, após a sangrenta batalha de Chapultepec.

Forte Álamo

O Forte Álamo foi construído em 1718, na cidade do Texas, que ainda pertencia à Espanha. Seus fundadores foram enviados da Missão San Antônio de Valero, uma das primeiras expedições da Espanha naquela região. Seu objetivo era proteger os indígenas que habitavam a região, passando por um processo de catequização pelos missionários que buscavam sua conversão ao catolicismo.

O forte era composto por uma igreja e várias construções erguidas no mesmo período. Em 1835, aconteceu a batalha acima citada, entre texanos e mexicanos, pela posse das terras, com a derrota dos mexicanos.

Desde 1821, quando se tornou independente, o Texas pertencia por direito ao México. Os colonos que passaram a povoar a região, ocuparam o forte. O conflito entre Estados Unidos e México pela posse da região resultou na captura do Forte Álamo pelos texanos, comandados pelos estadunidenses que, ainda declararam a independência do Texas, que depois se tornaria parte dos Estados Unidos.

Consequências da guerra

O pior golpe sofrido pelos mexicanos veio com a tomada de sua capital, sendo obrigados a negociar com os seus inimigos, sendo sua rendição oficializada pelo Tratado Guadalupe-Hidalgo, assinado em 1848.

O tratado impôs duras perdas ao país: o México foi obrigado a ceder praticamente de graça os territórios do Novo México e Califórnia desistir do Texas, que depois seria anexado como estado americano, com mais ou menos 40% de seu território usurpado pelos Estados Unidos. Em contrapartida, pelo acordo de paz que foi estabelecido, recebeu apenas cerca de 5,8 milhões de dólares, entre indenizações e perdão de dívidas.

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Escrito por:
Pe Jose Inacio de Medeiros
Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

Missionário redentorista que atua no Instituto Histórico Redentorista, em Roma. Graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma. Atuou na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da antiga Província Redentorista de São Paulo, tendo sido também diretor da Rádio Aparecida.

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