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Casa Geral Redentorista completa 170 anos de fundação

Missionários redentoristas celebraram a primeira missa no local em 25 de março de 1855

Escrito por Redentoristas

24 MAR 2025 - 16H31 (Atualizada em 25 MAR 2025 - 11H54)

Reprodução/ Google Maps

Em abril de 1848, o Vigário Geral Transalpino, Pe. Joseph Armando Passerat, foi expulso de Viena, Áustria e renunciou; seus poderes foram temporariamente confiados aos três provinciais transalpinos da época (Pe. Léopold Ottmann, da Suíça, Pe. Franz von Bruchmann, da Alemanha e Pe. Michael Heilig, da Bélgica). Em junho de 1850, Pe. Rudolf von Smetana foi nomeado como Vigário Geral da Congregação. Leia MaisGoverno Geral Redentorista se reúne com representantes das MissõesConheça o padre contemporâneo de Santo Afonso conhecido como "Juiz de Paz"Quando Santo Afonso foi proclamado Doutor da Igreja?

A partir de setembro de 1853, na passagem da metade do século XIX, a Congregação foi dividida em dois ramos: o Reino de Nápoles e das Duas Sicílias, contando com 406 membros, sob o governo do Reitor-Mor residente em Pagani, e o ramo transalpino, que incluía as províncias e casas fora do Reino de Nápoles e das Duas Sicílias, sob a orientação do Pe. Rudolf von Smetana, contando com 718 membros.

Olhos voltados para Roma e tentativas de fundação

Para promover o desenvolvimento da Congregação, os Redentoristas Transalpinos queriam se estabelecer em Roma. Em 1841, o Papa Gregório XVI ofereceu-lhes a igreja de São Crisógono em Trastevere, mas sem chegar a uma conclusão. Pouco mais tarde, em outubro de 1853, o Papa Pio IX ordenou que o Pe. Smetana estabelecesse a residência do Superior Geral dos Franceses em Roma e convocasse um Capítulo Geral para eleger o novo Superior Geral.

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Casa Geral localizada à Via Merulana abriga o Governo Geral da Congregação


Em novembro de 1853, o padre Edward Douglas, um escocês, viajou da Irlanda para Roma. A Congregação precisava de seus conselhos e de sua fortuna, pois ele era um “homem de posses” e colocou seus bens à disposição da Congregação. Ele juntou-se ao Pe. Brice Queloz, que já vivia em Roma desde o final de 1850, como socius transalpino do Procurador Geral Domenico Centore, mais tarde Procurador dos Transalpinos.

Em maio de 1854, Pe. Smetana, acompanhado de seus Consultores, começou uma busca para encontrar um lugar conveniente para abrigar o futuro generalato. A primeira tentativa foi o convento de Santa Maria in Trivio, perto da famosa Fontana di Trevi. O acordo parecia estar tomando forma, mas Pe. Queloz hesitou demais e os Missionários do Preciosíssimo Sangue (de São Gaspar de Búfalo) o obtiveram antes.

Pensou-se depois em São Giacomo degli Spagnoli, na Piazza Navona, atualmente propriedade dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus, mas a ideia foi logo abandonada. Nesse ínterim, a igreja e convento de Santa Brígida, na Piazza Farnese, foi proposto, mas também se transformou num projeto sem prosseguimento. Outra possibilidade era a igreja e convento dos Santos Ildefonso e Tommás di Villanova dos Padres Agostinianos espanhóis na Via Sistina, uma ideia também abandonada.

O cardeal Raffael Fornari falou, então, de uma igreja ocupada pelos dominicanos perto do fórum de Trajano e outra pertencente aos Padres de São Francisco de Paula. Ainda como possibilidades surgiram São José, na Lungara, dos Pios Trabalhadores de Nápoles em Trastevere e Santa Maria dei Monti e seu palácio, onde Santo Afonso aguardou sua ordenação episcopal em 1762.

Outro projeto foi um prédio em Monterone, mas pareceu a Smetana “o mais inadequado e inaceitável de todos”. A estas tentativas juntou-se a do antigo convento dos Visitandinos, na Via dell'Umiltà, mas também sem um resultado positivo.

Mas, enfim, chegou o tempo propício da Congregação ter a sua casa em Roma.

Villa Caserta sobre o Esquilino 

Em junho de 1854, o Pe. Smetana visitou a Villa Caserta, com um grande jardim adjacente. Este lugar pareceu-lhe o mais adequado para o futuro generalato. Após uma longa negociação o contrato foi finalmente assinado em 27 de fevereiro de 1855. Padre Edward Douglas celebrou a Santa Missa pela primeira vez na capela da Villa em 25 de março de 1855. Esta é considerada desde então a data da fundação da casa, portanto, há 170 anos.

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Parte externa da Villa Caserta, em Roma


Na parede leste do jardim da Casa Geral existem algumas lajes de mármore, uma das quais revela o nome de seu primeiro proprietário: cardeal Francesco Nerli Júnior (1636–1708), que serviu sob cinco papas, de Clemente X a Clemente XI. Ele foi núncio extraordinário na Polônia e na Áustria, arcebispo de Florença (1670–1683), núncio de Luís XIV, Secretário de Estado (1673–1676), bispo de Assis (1685–1689), nomeado cardeal em 1673 com o título de São Mateus na Via Merulana, recebendo dois ilustres visitantes: o Papa Inocêncio XII, em 1699 e, um ano depois, a viúva do rei da Polônia João III Sobieski (1629–1696), Maria Casimira de la Grange d'Arquian.

Mais tarde a propriedade foi adquirida pela família Caetani até 1751, condes de Caserta, de onde deriva o nome da Villa. Mas nos interessa falar de Michelangelo Caetani (1804–1882), duque de Sermoneta, príncipe de Caserta, político e homem de letras, especialista em Dante Alighieri, pai de Onorato Caetani (1842–1917), que foi prefeito de Roma. Quando Carlos de Bourbon, rei de Nápoles, quis construir o luxuoso palácio de Caserta, Caetani teve que desistir da posse do principado de Caserta, mas conseguiu manter o título, que foi então dado à Villa construída no Monte Esquilino, que a família comprou em 1725.

O Monte Esquilino já era famoso desde os tempos antigos, devido aos Jardins de Mecenas, o famoso protetor das belas-artes. Padre Giuseppe Orlandi escreveu:

“Foi uma das muitas vilas — 142 para ser mais preciso — das quais 53 já desapareceram completamente — que pontilhavam a cidade. Com seus edifícios e parques, ocupavam dois terços dos cerca de 1.500 hectares que compunham o território dentro das Muralhas Aurelianas, tornando a Roma da época uma verdadeira cidade-jardim”.

Nb. Ainda hoje existe o Teatro de Mecenas, bem próximo à Casa Geral, que abrigava apresentações e concertos.

Padre Louis Vereecke, redentorista, escreveu que:

“A Villa Caserta também incluía um grande jardim que se estendia por 619 metros ao longo da Via Merulana, em direção a São João de Latrão. Neste terreno ficava a Igreja de São Mateus, na qual o ícone milagroso da Mãe do Perpétuo Socorro foi homenageado desde o final do século XV até sua demolição em 1798. Nas proximidades também ficava o mosteiro e a igreja de San Giuliano (S. Julião), localizados perto dos Troféus de Mário, na atual Piazza Vittorio Emmanuele, onde a primeira fundação dos redentoristas foi estabelecida em Roma pela vontade do Papa Pio VI, em 1783. Nesta igreja de San Giuliano (São Julião), os dois primeiros redentoristas franceses, Clemente Hofbauer e Tadeu Hübl, depois de terem feito o noviciado, fizeram seus votos religiosos em 19 de março de 1785. Os redentoristas tiveram que abandonar São Giuliano em 1798, na época da ocupação francesa, se mudando para Frosinone, retornando depois de passar a ocupação. A igreja de San Giuliano e o mosteiro foram destruídos em 1873, para dar lugar à atual Piazza Vittorio Emanuele” (A “CASA DE SANT'ALFONSO” NA VIA MERULANA).

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Redentoristas na capela da Casa Geral da Congregação


Cumprindo sua missão original, a Casa Geral localizada à Via Merulana abriga o Governo Geral da Congregação, os órgãos e instituições a ele afiliados e outros órgãos como Instituto Histórico e Arquivo Geral, a Academia Alfonsiana de Teologia Moral, a equipe que atende o povo na igreja Santo Afonso e Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e ainda acolhe redentoristas estudantes que formam o Colégio Maior, além de receber visitantes do mundo inteiro.

Pe. Adam Owczarski, C.Ss.R.

Fonte: Tradução livre: Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

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